sábado, 23 de fevereiro de 2008

Cane


da mesa do bar pra cama

com ela, escancarando beleza
eu, podre, embebido em álcool.
o cão da esquina late em minha direção
ofensivo como eu, na cama, com ela
ela escancara beleza
eu escancaro o bafo de cerveja.
o cão, infame, ainda late
a algumas quadras daqui.
a luz da rua ilumina o apartamento
e o apartamento se resume a uma cama
sem lençóis limpos ou travesseiros macios
apenas dois corpos desafiando a inércia.
ela se levanta, se veste, vai embora
eu fico, durmo, acordo, sozinho...volto pro bar
outra mulher que se escancara
eu a sigo como um cão à fêmea no cio
infame e vil, ludibrio-a com palavras
o cão da esquina continua latindo
e eu sigo em frente, rumo ao apartamento.
a esquina é dele, o apartamento é meu.

cada cão com seu território.

3 comentários:

Moisés disse...

Acho que é bom.

Vinicius Camargo disse...

Cada cão com seu território, só venho visitar.

alana disse...

Porco cane!!!