domingo, 27 de abril de 2008

Moça


Olho a moça que passa
com um livro embaixo do braço.

Juro não fazer estardalhaço
quando penso que passa descalça,
mas vejo a sandália de alças
que se apossa do pé em um laço.

Moça cheia de graça
e mil homens ao seu encalço.
Ah, a alegria da massa,
o quebrar da bunda aos passos.

Olho a moça que passa,
o livro de buracos roídos embaixo do braço.

Passa sem ver o espaço
entre os buracos do livro que amassa
como faço todos os dias na praça
ao procurar os cigarros de meu maço.

E ao amigo que me questiona o impasse
com uma singela palavra sem classe:
- Traça?
Respondo sem embaraço:
- Traço!

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