terça-feira, 6 de maio de 2008

Ode ao pau


Gozo e saio de cima dela. Deito ao seu lado, braço que passa por debaixo de sua nuca, ela me olha sorrindo: terceiro par de olhos da semana. Respondo com um sorriso de lábios, encosto-me na cabeceira da cama, puxo meu maço com a mão livre, ponho o cigarro na boca e acendo-o. Ela parece querer dormir, ainda com um sorriso inquietante. Olho para baixo e vejo-o lá: meu pau, símbolo máximo da virilidade, monumento austero do homem, órgão da vitalidade, o mais sincero do corpo humano, quando gosta dela, rígido, prepotente, quando não gosta, recusa-se a encarar seu trabalho. Sinceridade demais não presta.
O pau, como sabemos, sempre foi motivo de adoração. Desde a Antigüidade já encontramos referências ao falo, inclusive, temos até um deus do falo, nosso primeiro representante cultural. Pau também é cultura, dedução lógica. Por isso que o homem, e eu, principalmente, temos que conhecer e deixar-se ser conhecido por várias e inúmeras mulheres, para expandir essa cultura. Não nos contentamos com um livro só, ou com um filme só, precisamos de mais, muito mais. O que seria das mulheres sem meu pau, e o que seria de meu pau sem as mulheres? Um depende da existência do outro, não há como negar. Dedução lógica.
Procuro um cinzeiro com os olhos, a cinza se acumula na ponta do cigarro prestes a cair. Ao meu lado somente o copo com um pouco de vinho tinto dentro. É ali mesmo que deposito a cinza de meu cigarro. Ela dorme. E meu pau descansa. Descansa da batalha árdua que acabou de enfrentar e, como sabemos, todo soldado precisa descansar. Aliás, heresia de minha parte chamá-lo de soldado, meu pau já é capitão no mínimo, correto? Se ele me ouvisse, diria: sim, coronel. Nada como manter a hierarquia. E digo batalha pelo conteúdo daquele tradicional chavão que metaforicamente separa a vida em dois, batalha e guerra. Pois bem, separo o sexo em dois, e venci mais uma batalha, triunfante, mas a guerra, essa está longe de terminar. Graças a deus, porque gosto da guerra, desse tipo de guerra ao menos, na qual o inimigo divide a cama conosco e o melhor: tem seios.
Ainda dorme. Recém quinta-feira, aliás, primeiras horas da quinta-feira, isso tudo começou na quarta, então. Não reconheço o quarto onde estou, mas isso não me incomoda. É bom diversificar. Uma noite na minha casa, no meu quarto, na outra, não se sabe. Pode ser num quartinho de empregada perto da despensa, ou no quarto dividido com uma amiga num apartamento qualquer, ou ainda no quarto de um amigo ou amiga dela, emprestado para a ocasião. Enfim, o quarto não é tão importante assim. Mas tem uma coisa: recuso-me a ir a motéis, isso é sagrado. Motéis são muito impessoais, não tem o clima de conquista do qual gosto. Num quarto de motel não se há mais o que fazer, está lá para fazer o que há de ser feito, enquanto num outro quarto qualquer, fica a sensação de ter que chegar triunfante até a cópula, e o medo de poder vê-la escapar por entre os dedos, de perdê-la quando esteve tão perto. Claro que meu pau não tem nada a ver com isso, a questão do quarto é só minha. Meu pau se preocupa apenas com os “finalmentes”. Certo ele, não precisa esquentar a cabeça.
Ela se vira e joga o braço para cima de meu corpo, a mão que cai sobre meu pau. Gostou, com certeza. Até inconscientemente me procura, perdão, nos procura. Eu mergulho o final de meu cigarro no resto de vinho de dentro do copo e acendo outro. Se tem duas coisas que me viciaram foram cigarro e sexo, não exatamente nessa ordem, mas possivelmente. O cigarro, inclusive, dizem, representa o pênis, o pau, pra ser mais claro. É estranho pensar nisso, prefiro não pensar. Imaginar que ponho em minha boca algo que represente um pau é nojento, no mínimo. Nem que represente o meu pau, nem assim. Meu pau está lá embaixo e eu estou aqui, sempre foi assim e assim deve continuar. Nunca tivemos problemas de relacionamento desse jeito. Dou mais uma tragada. Uma tragada ao meu pau, na falta de vinho para um brinde.
Enquanto viajo com meus pensamentos, ela agarra meu pau e começa a me masturbar. Em segundos ele já está lá, pronto novamente. Ela sorri me mostrando os dentes. Eu sopro a fumaça que tenho na boca, sorrio de volta e ela me diz: mais uma? Tudo bem, não estou acostumado com quatro em uma noite, mas como disse, isso não sou eu quem decide. Se ele está lá, de pé, pronto para mais uma batalha, o que posso fazer? Não sou desses coronéis que podam a vontade de luta de seus comandados. Dou-lhe liberdade de decisão e assim o faço. Com certeza, respondo. Ela deita-se de costas para a cama e abre as pernas. Eu ponho meu cigarro fora e deito sobre ela. Chega de símbolo representante disso ou daquilo, eu e meu pau temos um trabalho a fazer, uma batalha a vencer. E como gostamos de trabalhar e de lutar. Um salve a mim! Um salve a meu pau! Sem dúvida, ainda receberemos uma medalha de honra ao mérito.
Apago a luz. Voltamos à guerra.

Um comentário:

Joseane disse...

ADOROOOO!!!!!!!!!!