quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Sem título


O primeiro tiro foi por diversão. Acertei bem no meio da testa do cara sentado à direita da porta. Sorri, ergui a mão esquerda e, com a outra pistola, atirei com raiva no gordo que havia parado de comer as batatas-fritas depois do estrondo do primeiro tiro. Um a menos. O terceiro foi por nojo. Nojo daquele filho-da-puta que arregalou os olhos de pavor. Morreu como um rato, temeroso. O quarto foi em legítima defesa. Eu já estava quase na mira do trinta-e-oito do dono do bar. Mesmo no susto, outro tiro bem no meio da testa. Que mira! O quinto matei pelas costas. É contra os meus princípios, mas ele estava fugindo e ninguém podia fugir. Bam! Atirei e ele caiu sobre uma das mesas perto da porta. Também é contra os meus princípios, mas o sexto tiro foi na mulher que estava lá, na hora errada, no lugar errado. O homem que a acompanhava também teve uma bala enfiada no corpo. Até que a morte os separe. A garçonete já havia entendido: não havia mais princípios. Quando mirei, fechou os olhos e esperou o impacto. Perdeu dois segundos da última luz do dia que veria. As pessoas escasseavam. Comecei minha ida até o banheiro em busca de algum sobrevivente. No caminho, matei um escondido sob a mesa. Atirei contra a porta do banheiro e ouvi o barulho de alguém caindo do outro lado. Dei meia volta e me dirigi à cozinha. Na ala principal já estavam todos mortos. Na cozinha, o bife queimava na chapa, junto com o ovo e uns pedaços de bacon. A porta de trás estava aberta. Cozinheiro ou cozinheira, fosse o que fosse, conseguira fugir. Voltei à ala principal, sentei atrás do balcão, ao lado do corpo do dono do bar, e me servi de uísque. Descansei as armas sobre o vidro do balcão e bebi um gole. Lá fora o dia parecia tranqüilo. O sol estava a pino. Alguns carros passavam velozes e algumas pessoas começavam a passar pela frente do bar, desavisadas. Dei outro gole. Agora era só esperar.

Um comentário:

muri disse...

ná, muito imitação de rubem fonseca.