quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

On the way home


Sigo teus rastros minúsculos, desajeitado, descuidado. Atravesso ruas que nem mesmo existem. Subo escadas, entro em apartamentos, fujo calmamente pela porta da frente.

Sigo teus rastros imaginários, deslumbrado, desacreditado. Provo de outras cozinhas, sem garfo, sem faca. Canto as mesmas músicas sem melodia. Em silêncio.

Sigo teus rastros evaporados, desarrumado, despenteado. Sonho novos quartos, conheço novos suores, crio novas noites. Atiro meus olhos pela janela. Cega-me a manhã.

Sigo teus rastros escassos, desmistificado, desenganado. Desembaraço os fios do teu cabelo da escova que ainda guardo. Recorto os livros de cada foto com um alicate.

Sigo teus rastros transeuntes, derrocado, desesperado. Dou mil voltas ao redor do globo. Perco teu sinal a cada esquina, em qualquer canto escuro, dentro da minha cabeça.

Sigo teus rastros sem reconhecer o tempo.
Sigo-os, até que eles finalmente me sigam.